quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ubuntu pra todos nós!

Segue o texto (digitado por mim olhando o vídeo) de Renato Ribeiro, a respeito do significado da palavra Ubuntu. É ou não é a essência do Software Livre?

"África, a casa de todos nós!

O primeiro homem foi africano. Por isso, entender este continente é entender um pouco o que somos. Cinquenta e três países, quase 900 milhões de habitantes, mais de mil idiomas. De que forma vemos os africanos?

Talvez jamais tenhamos olhado da forma devida para eles. Que tal uma Copa do Mundo para romper o preconceito? A partir de amanhã, durante um mês, um torneio de futebol terá o poder de inverter o mapa-mundi: a África passará a ser o centro de tudo. Teremos a chance de conhecer melhor nossos irmãos, e eles nos oferecem uma lição simples: UBUNTU - uma palavra comum em várias línguas africanas.

Geralmente é traduzida como "Humanidade", mas é pouco... UBUNTU - uma palavra e muitos significados: amizade, solidariedade, compaixão, perdão, irmandade, o amor ao próximo, a capacidade de entender e aceitar o outro.

O Prêmio Nobel da Paz, o bispo sul-africano Desmond Tutu, uma vez explicou: "Ubuntu é a essência do ser humano. Você não pode viver isoladamente, você não pode ser humano se é só." Para outro Nobel da Paz, o ex-presidente Nelson Mandela, para ser feliz é preciso viver em coletividade, em harmonia com quem está à sua volta. Ou seja, tudo de bom que você pode sentir, que você pode desejar a uma pessoa, os africanos resumiram em apenas seis letras: UBUNTU.

É isto que este continente deseja transmitir ao mundo durante a Copa. Uma lição fácil de aprender, melhor ainda de viver: UBUNTU!

UBUNTU pra todos nós!"

segunda-feira, 24 de maio de 2010

O Casulo de Aço

Esta postagem é uma tradução da postagem "The Steel Cocoon", publicada em http://www.ecovelo.info/2008/06/12/the-steel-cocoon/

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Carros distorcem nossas percepções de tempo e espaço. Eles agem como extensões portáteis do abrigo oferecido pelas nossas casas, anestesiando-nos da realidade da distância viajada, e cegando-nos da topografia através da qual viajamos. Usando uma quantidade maciça de energia, os carros reduzem os esforços físicos requeridos para nos movermos pelo mundo a não mais do que um movimento do pé e uma virada do pulso; um esforço físico quase comparável a trocar o canal da televisão ou navegar na internet.

Os carros também nos isolam da realidade das condições do tempo. Vento a favor ou vento contra não têm significado dentro de um carro. Chuva é apenas uma inconveniência. Temperaturas congelantes requerem apenas um ajuste no botão do termostato. Experimentar uma tempestade de dentro de um carro é como assistir um filme sobre a natureza em um Home Theater climatizado e confortável.

Andar de bicicleta, por outro lado, nos faz mais intimamente conscientes das nuances da paisagem e da energia requerida para cobrir determinada distância. Pedalar nos tira do útero sedentário de conforto e conveniência proporcionado pelo automóvel e nos submerge no mundo real e perceptível de mau tempo, subidas, fumaça de escapamento, cães latindo, odores naturais, e belos pôres-do-sol. Dirigir um carro é tão fácil que torna praticamente desnecessário pensar se um trajeto deve ou não ser feito. Pedalar, por outro lado, requer um esforço bem definido, e consequentemente estimula o planejamento e a eficiência. O ciclismo, pela própria natureza, pune o desperdício de energia.

Nós pagamos um preço pesado pela conveniência oferecida pelo automóvel. Dependência de petróleo, aquecimento global, fumaça, acidentes de trânsito, e muitos outros problemas são todos uma parcela de nosso desejo de extender nosso conforto além de nossas casas dirigindo nossos carros. A pergunta é: Vale mesmo à pena? E se não, o que vamos fazer a respeito?

terça-feira, 11 de maio de 2010

Resenha de música: PEIXUXA (Raul Seixas)

Ainda em clima de petróleo no mar, não pude resistir a fazer meu comentário sobre esta música: Peixuxa, o Amigo dos Peixes.

A primeira vez que ouvi, tive aquele choque auditivo: "Ué, mas o Raul Seixas fez música INFANTIL??" O compasso 2:4 típico das músicas à la Xou da Xuxa, uma flautinha no melhor estilo Sítio do Picapau Amarelo (só que ainda mais acrobática), e uma letra cujo tema gira em torno de fantasias bobinhas... Será?

Prestando atenção às sutis alusões sobre "grandes corporações" de charuto, terno e gravata, sobre coisas que ocorrem em surdina, de forma oculta, obscura, até sinistra, embora envoltas em uma aura superficial de descontração e leveza, mostra não só a suprema ironia de Raul, mas também suscita - vejam bem, a meu ver - aquela idéia de que a natureza tem seus meios, que a Terra gira "pelo seu grande poder", e que "Deus corrige o mundo pelo seu dominamento": a mesma mão de Gaia que é cordial com os peixes pode esmagar "o inseto que da terra se criou" (ou, mais claramente, NÓS).

Lá vai a letra


"Entra pelas portas do fundo
Do Oceano Atlântico um cara
De baleia, terno e gravata
Seu nome é Peixuxa,
É amigo dos peixes
É gente e respira debaixo do mar
Mar, mar, mar
Ma, ma, ma, ma, mas...

Sempre com um charuto na boca
Vai andando debaixo d'água
Vai até o mediterrâneo
Pois tem um encontro com hora marcada
Com a lua cheia para um lindo jantar

Tem gente estranha por debaixo do mundo
Tal qual Peixuxa, baixo, gordo, salgado
Tem gente estranha trabalhando nos fundo
Que não é peixe mas não morre afogado
Do, do, do, do, do, do

Ele é cordial com os peixes
Dá bom-dia quando é de dia
Boa-noite quando é de noite
E se não é noite, e se não é dia
Peixuxa, amavelmente, dá "maresia"

Seu Peixuxa antigamente
Foi chamado de Deus dos mares
"Inda" guarda em casa um tridente
E quando eu olho
O mar com petróleo
Eu rezo a Peixuxa que ele fisgue essa gente"

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Homenagem ao Vazamento de Petróleo - Grande Poder (Mestre Verdelinho)

Acabei de voltar de um show de Déa Trancoso no Salão de Atos da UFRGS, onde ouvi uma música perfeitamente adequada ao tão sub-noticiado vazamento de petróleo. Vejam essa:


"A terra deu, a terra dá, a terra cria
homem, a terra cria, a terra deu, a terra há
a terra voga, a terra dá o que tirar
a terra acaba com toda má alegria

a terra acaba com o inseto que a terra cria
nascendo em cima da terra, nessa terra há de viver
vivendo na terra, nessa terra há de morrer
tudo que vive nessa terra pra essa terra é alimento

deus corrige o mundo pelo seu dominamento
a terra gira com o seu grande poder
grande poder, com o seu grande poder
o nosso deus corrige o mundo pelo seu dominamento..."

segunda-feira, 1 de março de 2010

MailToBlogger - Como blogar com o mínimo de trabalho

Para quem não sabe (como eu não sabia até minutos atrás, quando "tive a idéia") existe um recurso do Blogger e provavelmente de outros blogs que é o mail2blog, ou seja, o blogueiro configura um endereço nas configurações do seu blog, e a partir de então as postagens enviadas para esse email vão direto para lá.

Se você está lendo isso, é porque funcionou, já que esta mensagem foi mandada direto do Gmail, sem precisar entrar no blog, fazer login, clicar em novo post, clicar em enviar...

Agora só tenho que descobrir como incluir as palavras-chave, coisa fundamental para que a galera encontre os posts via Google.

(em tempo, agora com esse recurso vamos ver se esse meu bloguinho finalmente começa a ter conteúdo ;o)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

E se a cuia do chimarrão azeda?

Bom dia, Boa tarde, Boa noite.

A cuia do chimarrão é objeto de várias teorias, crendices, superstições, chegando a ser tratada quase como se tivesse vontade própria. De certa forma, tem mesmo, já que provém do porongo, que algo vivo e de certa forma possuidor de certo livre-arbítrio.

Já tive dificuldades horríveis para curar uma cuia nova, e os melhores resultados não foram totalmente satisfatórios... Acabei tendo que recorrer aos "curandeiros", que levaram ela embora, fizeram seus procedimentos obscuros, e a trouxeram, de fato, melhorada.

O que me incomoda é que a coisa não é assim. Eu como um homem científico (embora não totalmente cientificista) me recuso a adotar procedimentos sem questionar sua viabilidade. É mais que óbvio que deixar a cuia de molho na erva três dias seguidos OU já ir tomando chimarrão com ela não faz (ou não deveria fazer) a menor diferença. Mas enfim, deixemos isso para outros discutirem.

O que me traz aqui é que, aparentemente, descobri um bom meio de dar uma renovada naquela cuia que azedou dum dia pro outro. Evidentemente o que acontece ali é uma proliferação bacteriana, e matar as bactérias bem matadinhas é o primeiro passo para tirar o cheiro ruim e evitar que azede de novo tão fácil, sem falar que o único jeito de tomar um chimarrão bom é numa cuia que não está azeda.

Pois bem, acredito que derramar álcool na cuia e deixar um tempo possa funcionar bem, mas como hoje em dia o álcool está muito pouco concentrado, e seria necessária uma quantidade meio grande de álcool, deixando o procedimento um pouco caro demais.

Outra maneira seria com radiação. Tentando curar minhas cuias das quais já falei, deixei-a de cabeça para baixo sobre uma lâmpada de 40W. De fato esquentou bastante, e as bactérias devem ter morrido, mas também ficou uma mancha carbonizada no fundo da cuia, que contaminou definitivamente o gosto do mate...

Próxima teoria: água quente, muito quente. Isso é o que eu vinha fazendo: despejava água fervendo até preencher dois terços da cuia. Às vezes parecia até que estava efervescente. Aparentemente tinha tudo para dar certo. Mas não: diria eu que, a partir do momento em que a água entrava em contato com a cuia, e mesmo antes, enquanto era derramada, a evaporação e o contato com o ar fazia com que a água já não estivesse tão quente. E tem mais: após derramar a água fora, a cuia ficava úmida e fria, devido à evaporação, e isso seria suficiente para que as poucas bactérias sobreviventes começassem a se multiplicar no "caldo".

Pois hoje fiz algo que realmente parece ter funcionado: pequei a cuia e coloquei, de cabeça para baixo, sobre o bico da chaleira enquanto a água fervia. O vapor saía àquela temperatura muito alta, e ia esquentando a cuia por dentro. Quando a cuia já estava quente POR FORA, ou seja, todas as camadas potencialmente contaminadas já estavam à temperatura máxima, enxaguei a cuia com a própria água fervente, joguei fora rápido antes que esfriasse, e sacudi bem (por um minuto mais ou menos) para que não ficasse resto de umidade.

Pois bem, depois de fazer isso, dentro de uma hora a cuia já estava totalmente seca, limpa e praticamente sem cheiro, tanto que agora estou tomando um chimarrãozinho bem satisfatório...

Por hoje era isso

Helton

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Resenha: Joelho de Porco - Pé na Senzala (música)

Este (primeiro) post é minha modesta contribuição a uma banda brasileira que eu adoro, e que considero muito injustamente esquecida, exceto por aqueles que realmente se propõem a garimpar coisas velhas e garantir que seu "panteão sonoro" não deixe ninguém de fora, ou ao menos ninguém que mereça.

Sem muitos detalhes: a banda Joelho de Porco, formada em São Paulo por volta dos anos 70, creio eu, que eu saiba tem dois discos: "São Paulo 1554-hoje", que creio ser mais conhecido e mais "roqueiro", com generosas doses de progressivo; e "Saqueando a Cidade", mais longo, levemente mais brega (até no timbre dos instrumentos), mas contendo algumas "pérolas" hilárias.

Uma dessas pérolas é a música "Pé na Senzala". Brilhantemente arranjada no estilo "black music" à la James Brown (e seu discípulo Jorge Ben), a música tira sarro do suposto fato de que os negros do Brasil estavam deixando o samba de lado e dando preferência à onda black "importada" do Zeua. E que por outro lado o samba teria perdido sua identidade ao virar música de branco.

Contando assim até não tem muita graça, mas a música é genial, em especial se considerarmos a combinação entre a letra (ironia e sarcasmo sutis) e a música propriamente dita (com destaque para o baixo slap e as quebradas de tempo elaboradas). Cômico também é o cara cantando "I'm a sex machine... Querosene..." (aludindo a Gasoline, coisas de James Brown). Mas chega de papo, vai aqui a letra (fonte: Terra)

Pé na senzala

Joelho de Porco

Composição: Zé Rodrix

PÉ NA SENZALA

Agora eu sei
Porque é que quem é negro já não dança
samba
Porque é quem é negro tá na onda
black
Deixando louca a critica especializada
(o donos do samba)
É que agora eu sei
Que quem é negro tem que ter a sua música
Falando a mesma língua da rapaziada
Que tem muito trabalho e salário pouco

É que o samba deixou de ser uma música negra
É que o samba deixou de ser uma música livre
É que o samba deixou de ser uma música pobre
Uma música viva
É que o samba passou a ser
Música de gente satisfeita

E hoje que eu já sei
Que negro dança black e branco dança samba
Que o black vem do morro e o samba da cidade
E é dentro da cidade que se encontra o samba
(desfigurado)
Eu vou dançar
O black como um dia já dancei o samba
Com a mesma alegria e a mesma liberdade
Que a minha avó dançava o maracatú
Na senzala


Acho que eles não vão ficar bravos nem vão perder dinheiro se eu der de presente:

http://www.4shared.com/file/102008721/d1cbc904/P_na_Senzala.html

Então era isso, hora dessa tou por aqui de novo.